quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Pedido de vista interrompe processo contra Jean Wyllys no Conselho de Ética da Câmara.

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Fonte; Congresso em Foco.
Relatório pede suspensão do mandato parlamentar por 120 dias. Deputado responde por quebra de decoro depois de cuspir em direção a Jair Bolsonaro durante a votação da fase de admissibilidade do impeachment de Dilma Rousseff, em 17 de abril.

Os deputados Júlio Delgado (PSB-MG) e Léo de Brito (PT-AC) pediram vista do parecer apresentado ontem (terça, 13) no Conselho de Ética da Câmara recomendando a suspensão do mandato de Jean Wyllys (Psol-RJ) por 120 dias. Elaborada por Ricardo Izar (PP-SP), relator do processo no colegiado, a recomendação entende que Jean atentou contra o decoro parlamentar – embora sem a gravidade que justificasse cassação, por exemplo – depois de cuspir em direção ao deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) durante a votação da fase de admissibilidade do pedido de impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff, em 17 de abril. A Casa ainda estava sob o comando do agora deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e, na ocasião, 367 deputados deram voto contra a petista na já histórica sessão em que Cunha foi chamado, entre outras coisas, de “gangster”.

Segundo a assessoria do Conselho de Ética, caso o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), convoque sessões deliberativas para a próxima semana, última antes do recesso, há a possibilidade de que o presidente do colegiado, José Carlos Araújo (PR-BA), também coloque o relatório de Izar em discussão e votação. Como determina o regimento, o prazo para devolução de pedidos de vista é de dois dias úteis.

Ao se defender no processo, Jean Wyllys alegou que seu gesto foi uma reação aos insultos do parlamentar e seus pares. Homossexual assumido, Jean disse que Bolsonaro o chamou de “queima rosca” e “veadinho”, entre outros termos homofóbicos. Há cerca de uma hora, Jean usou seu perfil no Facebook para comentar, como tem feito nos últimos dias, o andamento do processo que enfrenta no Conselho de Ética. “Estou muito feliz, nesse momento em que o Conselho de Ética discute a possibilidade de me condenar injustamente, por receber o apoio do meu amigo Marcelo Freixo, que foi candidato a prefeito no Rio, com enorme sucesso. Freixo é uma pessoa generosa e muito sensível”, escreveu o deputado, que postou até um poema sobre o assunto (veja abaixo).

Adulteração

Em sua acusação, Bolsonaro e seus aliados acusaram Jean Wyllys de ter desferido o cuspe de maneira premeditada. Filho de Bolsonaro, o também deputado Eduardo Bolsonaro (PSC-SP) veiculou um vídeo na internet e o exibiu no Conselho de Ética para constar como prova de que Jean premeditou o ato do cuspe. No entanto, uma perícia feita pelo Instituto de Criminalística da Polícia Civil do Distrito Federal constatou adulteração nas imagens, de forma a invalidar o material como prova.

Nas imagens, Jean Wyllys conversa com Chico Alencar e uma legenda atribui ao deputado do Rio de Janeiro a seguinte frase: “Eu vou cuspir na cara do Bolsonaro, Chico”. O material, que pode ser encontrado em sites como o Youtube, sugere que a gravação foi feita antes do cuspe. Mas, segundo a perícia, esse diálogo decorreu do ato do cuspe e, com base em leitura labial, Jean fez a seguinte declaração: “Eu cuspi na cara do Bolsonaro, Chico”.



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