sexta-feira, 31 de março de 2017

No RN, moradores de Afonso Bezerra voltam a protestar contra presídios.

Decisão de construir duas unidades no município foi anunciada no dia 13. Manifestantes reivindicam investimentos em educação, saúde e lazer.
Moradores bloquearam rodovia que corta Vale do Açu (Foto: Hiago Felix)
Moradores de Afonso Bezerra, na região Central do Rio Grande do Norte, voltaram a protestar, na manhã desta sexta-feira (31), contra a construção de dois presídios no município. Os manifestantes bloquearam um trecho da rodovia RN-118, no limite entre o município e Ipanguaçu, e queimaram pneus, segundo a Polícia Militar.

A população do município já havia se manifestado contra a instalação dos presídios no dia 16. Os moradores reivindicam, entre outros pontos, mais investimentos em saúde, educação e lazer. Inicialmente, o governo do RN havia anunciado que pretendia erguer as novas unidades em Santana do Seridó, mas mudaram de ideia após protestos da população.

O governo do estado declarou que a escolha do município se baseou em estudos técnicos feitos pela comissão do Plano Diretor do Sistema Penitenciário. A possibilidade de concluir a obra com rapidez, a distância “mediana” em relação aos grandes centros e a infraestrutura disponível foram apontadas como motivos.

A Secretaria de Justiça e Cidadania do Rio Grande do Norte (Sejuc) informou que a construção contará com recursos do Ministério da Justiça, que vai liberar R$ 31,9 milhões para as obras. Cada uma das unidades terá capacidade para 603 detentos.

Novas prisões
Em janeiro, o governador Robinson Faria declarou a intenção de desativar a Penitenciária de Alcaçuz ainda este ano. Segundo ele, a construção de três novos presídios permitiria a transferência dos presos da unidade, onde um massacre deixou 26 mortos ao longo de mais de uma semana de rebeliões.

“A construção de Alcaçuz naquele local foi um grande equívoco, porque é uma área de geografia turística”, afirmou Robinson.

A terceira unidade é a Cadeia Pública de Ceará-Mirim, na região metropolitana de Natal, que já está em construção. A obra começou em 2015 e chegou a ser embargada para adequações, mas foi retomada e, segundo o governo, deve ficar pronta em junho. A prisão terá três pavilhões e capacidade para 603 pessoas.

Segundo o general Araújo Lima, o governo pretende criar 3.900 vagas no sistema prisional do estado em cinco anos, mil delas até abril de 2018. A comissão para elaborar o Plano Diretor do Sistema Penitenciário foi criada em fevereiro, depois da matança em Alcaçuz. O projeto deve ficar pronto em abril.


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