quinta-feira, 6 de julho de 2017

O atual vice-prefeito e secretário de educação Miguel Salusto concedeu entrevista ao blogueiro Lenilson Soares.

Fonte:www.lenilsonsoares.com.br



Neste mais novo trabalho, o Blog que leva o meu nome, criei um quadro de interesse popular, o qual estará semanalmente entrevistando políticos, religiosos e figuras públicas sobre assuntos importantes.

Para dar inicio a uma série de entrevistas, o entrevistado da vez foi o atual vice-prefeito e então secretário de educação do município de São Tomé-RN, Miguel Salusto.

Segue abaixo a entrevista, leia e fique conectado com o Blog Lenilson Soares.

1 – Qual foi a maior dificuldade nos primeiros meses de Gestão?

Assumimos o município ainda em um clima de forte acirramento político, com servidores passando dificuldades financeiras em função dos salários atrasados e vários serviços importantes paralisados.

As escolas municipais enfrentavam um nítido descrédito frente à população e os profissionais bastante desmotivados.

Nossa maior dificuldade foi exatamente reconquistar a confiança da população nas nossas escolas e motivar os profissionais.

2 – Quais foram os pontos de prioridades a serem realizados?

Estabeleci como meta prioritária o básico: ter aula os 5 dias da semana e no mínimo 4 horas por dia. Para isto foi necessário garantir o pagamento dos profissionais em dia, transporte e merenda.

3 – Por que as aulas só começaram com dez dias de atraso?

Na verdade, o calendário letivo é definido pela Secretaria Municipal de Educação e não existe uma data pré-determinada para inicio. O que existe e nos pauta é a obrigatoriedade do cumprimento dos 200 dias letivos ou 800 horas anuais. O nosso calendário letivo prevê 206 dias.

Realizamos um trabalho árduo para concluir a reforma das Escolas Municipais Monsenhor Manoel Pereira da Costa e José Aribaldo de carvalho que estavam totalmente destruídas, bem como os serviços básicos de limpeza e manutenção das demais escolas da cidade e do campo.

Esse trabalho exigiu mais uma semana e, por isso, as aulas iniciaram no dia 13 de março. Para ter-se uma ideia, recuperamos mais de 600 carteiras escolares.

No Monsenhor, maior escola do Município, encontramos apenas 29 carteiras em condições de uso, e todo este trabalho de recuperação exigiu mais tempo.

4 – Por que os ônibus não rodaram para todas as comunidades da Zona Rural?

Todas as comunidades do município são atendidas por transporte escolar, nas comunidades onde o transporte não consegue chegar, os alunos recebem apoio financeiro para se deslocar.

Até pouco tempo se fazia uso de rodízio de transporte, ou seja, em uma semana o transporte atendia uma comunidade e na outra o transporte faltava por que precisava atender outra comunidade, nós acabamos com esse crime, para isso foi necessário concentrar a maior parte das linhas no turno vespertino; sabemos que esta medida pressiona as escolas com um grande numero de alunos no vespertino, mas foi necessária para resolver o problema.

Atualmente, a prefeitura está encerrando o processo de licitação do transporte e espero que no segundo semestre seja possível melhorar ainda mais este serviço.

5 – Quais soluções foram tomadas para melhorar a educação do município a médio e à longo prazo?

Definimos ações de curto, médio e longo prazo.

*Reorganizamos o Transporte Escolar, com a recuperação da frota e redefinição de linhas; *Recuperamos escolas e carteiras;

*Estamos pagando os salários em dia;

*Ofertamos merenda todos os dias com desjejum na educação infantil tanto da cidade quanto do campo.

Todas essas medidas objetivam garantir a oferta de aula todos os dias e 4 horas por dia. Além disso, criamos o Gol de Letra que garante a educação em tempo integral com atividades esportivas e culturais no contra-turno e aulas de reforço das 11h ás 13 horas com garantia de almoço.

Também criamos o SETA (Sempre é Tempo de Aprender), Programa de Alfabetização e Educação de Jovens e Adultos que visa reduzir o nosso índice de analfabetismo e a conclusão das séries Iniciais do Ensino Fundamental.

Ampliamos a matrícula na rede municipal de 1.828 alunos para 2.484 o que nos garantirá além de um atendimento maior, um aporto financeiro mais robusto a partir de 2018.

6 – Qual o seu ponto de vista acerca da gestão atual com relação ao parcelamento de 24 vezes dos salários atrasados dos servidores?

É preciso lembrar que agora em julho será pago 50% do mês de novembro e a outra parte é que será parcelada em 24 vezes. Lembremos também que este é o resultado de uma tragédia pretérita.

E todo o processo de negociação ocorreu em juízo a partir de mandados de segurança do SINTE E SINDSEST impetrados em 2016. O que eu espero, e para isto me empenharei, é que o que foi acordado seja cumprido (tenho certeza que será) para que não ocorra o que ocorreu em anos passados quando várias negociações feitas em juízo foram descumpridas obrigando o sindicato da categoria a solicitar bloqueio de recursos.

7 – O Piso salarial dos Professores será implantado à risca a partir dos próximos meses?

O reajuste do Piso será implantado na folha de junho e os meses retroativos, que são cinco, serão pagos no mesmo mês do crédito dos recursos do Brasil Carinhoso. Este foi o acordo celebrado entre a gestão do prefeito Babá e a categoria e que também será cumprido. A outra parte fundamental do Piso que se refere ao terço de hora atividade, lamentavelmente se encontra sub judice em função de procedimentos do Ministério Público desde 2015.

8 – Quais os recursos que o PT viabilizou para a educação de São Tomé com deputados estaduais e Federais através de sua pessoa?

O Partido dos Trabalhadores sempre teve um compromisso muito forte com a população de São Tomé; atuamos na política desenvolvendo ações que beneficiem a nossa população, e atualmente estamos concluindo uma licitação para compra de 44 aparelhos de ar condicionado para as escolas, 220 conjuntos de carteiras escolares e 16 mesas para cadeirantes através de emenda de Fátima Bezerra.

Também articulamos, enquanto Partido dos Trabalhadores, recursos para outras áreas comopavimentação de ruas e custeio da saúde. Para além das emendas, e se falando em recursos, o trabalho que realizamos na matricula deverá acarretar um acréscimo financeiro de aproximadamente 2,4 milhões em 2018. Sem falar que as medidas tomadas para enxugar a folha proporcionaram um resultado significativo: a folha de servidores ativos que era de 650 mil, caiu para 540 mil; os comissionados da educação que custavam 87 mil hoje custam 32 mil, os contratos temporários que oneravam as despesas em 150 mil, caíram para 70 mil reais.

9 – Vossa excelência tem influência na tomada de decisões com o paliativo entre prefeitura e SINTE, já que é ligado também ao mesmo? Para amenizar determinadas situações ou não, o SINTE tem autonomia própria.

Um dos maiores orgulhos que eu tenho da minha categoria é por ela saber diferenciar a função do gestor e do dirigente sindical. A categoria da Educação de São Tomé sabe o que quer, não é por que eu estou à frente da secretaria que os servidores irão abrir mão de elaborar suas estratégias de luta para defender aquilo que seja justo.

São pessoas muito inteligentes e que estão na luta desde 1995, passaram por várias gestões e sobreviveram a tragédias administrativas inimagináveis.

Eu estive ao lado desta categoria ao longo deste tempo e ainda estou, apenas desenvolvo a luta em outro terreno.

Todas as decisões dos servidores são tomadas de maneira coletiva, discutindo bastante nas assembleias e por maioria de votos. É muito difícil aprovar uma proposta que não tenha consonância histórica com a luta em uma assembleia do SINTE. O SINTE é autônomo, independente e de luta, sempre foi e sempre será.

10 – Há boatos de que vossa excelência deixará a secretaria de educação ?

Assumi a secretaria de educação por seis meses para ajudar a reorganizar a rede, seria muito deselegante de minha parte antecipar minha saída ou permanência sem que antes eu tenha conversado com o prefeito.

Obs. Como a entrevista foi a dias atrás, fala-se que o atual secretário deixará a pasta.

11 – Qual avaliação você dá de seu tempo à frente da secretaria?

Sou suspeito para avaliar, mas enxergo que as metas planejadas no inicio do ano foram alcançadas em quase sua totalidade. As escolas funcionam regularmente, os salários estão em dia, a sociedade está voltando a acreditar nas escolas do município, as direções escolares estão realizando um trabalho excelente, existe muito empenho dos servidores que trabalham nas escolas do campo, a equipe da cozinha alternativa é de uma dedicação exemplar, e a equipe da Secretaria de Educação, mesmo sem receber gratificação nenhuma, tem a cada dia mostrado uma competência enorme.

Claro que ainda existem muitos problemas a serem superados: muitas escolas precisam de acessibilidade, a biblioteca municipal ainda não está funcionando, promoções verticais de alguns servidores precisam ser implantadas; a Secretaria precisa de espaço melhor para funcionar adequadamente, inclusive com a disposição de um transporte para permitir visitas pedagógicas às escolas do campo; a eleição direta para as gestões escolares; e muitos outros problemas que precisam ser enfrentados.

12 – Gostaria de saber se está saindo com a sensação de dever cumprido.

Não tenho como responder a esta pergunta sem ter saído da Secretaria. Mas reitero que quase a totalidade das metas estabelecidas para os 06 meses foram alcançadas. Neste primeiro semestre, os alunos já tiveram mais aulas do que todo o ano de 2016.

13 – Qual a avaliação para a gestão do prefeito Babá no seu ponto de vista?

A Gestão do Prefeito Babá tem conseguido cumprir a duras penas o desafio inicial que é de reconstruir. Nosso município enfrentou uma situação muito difícil nos últimos anos de maneira que não é fácil recolocar as coisas nos trilhos. Entretanto é visível os novos ares da população.

O povo se sente mais seguro no que se referem à gestão municipal, as coisas funcionam de maneira mais regular em todas as áreas.

Mas são muitos problemas acumulados e isto provoca uma pressão desafiadora sobre a gestão, muitos desses problemas só serão resolvidos a médio e longo prazo, como o desemprego e as obras de infraestrutura.


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